
Ela estava triste e pensativa. Uma paz excessivamente dormente envolvia-a de tal forma que ameaçava mesmo asfixiá-la. Mas ela parecia nem se quer ter reparado. Pensava, pensava, pensava em tudo o que lhe acontecera.
Por muito que o tentasse negar, e várias vezes o tentára, fora ela que vendára os seus olhos e que voluntariamente caíra, num último acto de martírio pessoal, dentro da alcateia repleta de lobos famintos que a esperavam. A verdade é que ela sabia que durante todo este tempo vivera num engano de alma. Todos os dias continuára a comungar secreta e emocionalmente com o seu mal, alimentando-o na esperança que ele não tivesse força suficiente para se voltar a levantar mas não desejando inteiramente a sua morte. Sim. Era ela que montava o cavalo alado amarelo e era também ela que o guiava em direcção ao abismo, que já se encontrava perigosamente perto.
Mas agora, que se encontrava novamente só, envolta pelo manto negro da sua floresta sem fim, sentia-se perdida na sua intimidade e vacilava, apercebendo-se claramente da forma como ela e apenas ela, sem escrúpulos, cravára o punhal de dois gumes, que forjára, directamente no seu coração. Era ela o inimigo com quem devia lutar e de quem se devia proteger.
E agora uma luz nova e desconhecida movia-se a toda a velocidade, à sua volta. Fosse o que fosse, era algo de novo, e por muito que ela preferisse continuar agarrada à sua boia sem ar gritando por socorro no seu imenso oceano onde nunca permitiria a alguém navegar, tinha uma nova hipotese e um novo caminho a percorrer.
Tinha de escolher, e sabia que esta escolha marcaria um novo rumo na sua vida. E ela escolheu. Escolheu segui-la. Mesmo sabendo que poderia perder tudo o que construíra antes. Mesmo sabendo que esta a poderia fazer cair ainda mais fundo do que já estava...
Por muito que o tentasse negar, e várias vezes o tentára, fora ela que vendára os seus olhos e que voluntariamente caíra, num último acto de martírio pessoal, dentro da alcateia repleta de lobos famintos que a esperavam. A verdade é que ela sabia que durante todo este tempo vivera num engano de alma. Todos os dias continuára a comungar secreta e emocionalmente com o seu mal, alimentando-o na esperança que ele não tivesse força suficiente para se voltar a levantar mas não desejando inteiramente a sua morte. Sim. Era ela que montava o cavalo alado amarelo e era também ela que o guiava em direcção ao abismo, que já se encontrava perigosamente perto.
Mas agora, que se encontrava novamente só, envolta pelo manto negro da sua floresta sem fim, sentia-se perdida na sua intimidade e vacilava, apercebendo-se claramente da forma como ela e apenas ela, sem escrúpulos, cravára o punhal de dois gumes, que forjára, directamente no seu coração. Era ela o inimigo com quem devia lutar e de quem se devia proteger.
E agora uma luz nova e desconhecida movia-se a toda a velocidade, à sua volta. Fosse o que fosse, era algo de novo, e por muito que ela preferisse continuar agarrada à sua boia sem ar gritando por socorro no seu imenso oceano onde nunca permitiria a alguém navegar, tinha uma nova hipotese e um novo caminho a percorrer.
Tinha de escolher, e sabia que esta escolha marcaria um novo rumo na sua vida. E ela escolheu. Escolheu segui-la. Mesmo sabendo que poderia perder tudo o que construíra antes. Mesmo sabendo que esta a poderia fazer cair ainda mais fundo do que já estava...
Janeiro de 2005
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