Friday, February 27, 2009

Pinceladas de vida


Nos dias em que chove não ouso sair de casa.
O sol não brilha e com ele desvanece-se, também, o meu brilho.
Torno-me a penumbra que envolve a minha janela.
A chuva que cai lá fora, mas também cá dentro, torva-me a vista. Não há nada que consiga ver, mesmo que quisesse...
Nesses dias, deixo a minha aguarela de lado, e aguardo, encarcerada na minha tempestade privada.
O tempo não pára (quem me dera que parasse...), mas eu páro para o tempo e a minha aguarela pára para mim. Os pincéis estão gastos e carcomidos (quem me dera que não...). Imóveis e inúteis (ao menos se eu tivesse forças...). Renuncio-lhes, enquanto deixo ruirem as paredes da minha casa, a fraqueza sufocar-me, e a vida fluir-me das veias.

Temos medo de arriscar/errar e isso torna-nos fracos. Inutiliza o mais brilhante pensador, que deixa que fechem a sete-chaves as suas potencialidades. O que ele não sabe, é que ele é as sete-chaves.
O mundo exige de nós e nós exigimos do mundo, e é dificil manter o equilibrio entre estas duas necessidades (principalmente porque não depende só de nós). Quando este equilibrio fica demasiadamente desequilibrado, deixamos que a nossa luzinha interior se perca pelo caminho. Ironicamente, quanto maior a luzinha mais facilmente a perdemos. E fazêmo-lo porque não vemos que, muitas vezes, o desequilibrio não é mais que uma ilusão criada por quem nos vende irrealidade por realidade.

Por isso, pega nas chaves, liberta-te e vive (pois ninguém o fára por ti)! Da fraqueza surge a força, da guerra surge a paz, e da escuridão surge a luz. Afasta-te da penumbra da tua janela e repinta a aguarela da vida. Quando o sol se puser, verás que valeu a pena.